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EEm outubro de 2018, o Minhocão de São Paulo foi presenteado com uma nova obra: um enorme mural com a imagem de Nelson Mandela, ex-presidente sul-africano que é símbolo mundial da luta por igualdade, justiça e liberdade. Criado pelos artistas Criola e Diego Mouro, ele faz parte das homenagens ao centenário de Mandela que foram orquestradas pelo South African Tourism, escritório de turismo da África do Sul no Brasil, durante o ano de 2018.

NNa altura da estação Marechal Deodoro do metrô, o mural chega para impactar a paisagem da cidade, e para lembrar de que cada um de nós pode ser o agente ativo das mudanças que desejamos ver - na escola, no trabalho, na vizinhança, na família. O mural chega para lembrar que todos temos a capacidade de sermos ícones não apenas de nossas vidas, mas das vidas daqueles que foram esquecidos e renegados. O mural chega para lembrar que períodos de injustiças sociais não duram para sempre, que não devemos jamais desistir de lutar, e que a transformação mais difícil de ser feita é a de nós mesmos. O legado de Mandela é afinal, um exemplo para toda humanidade.

“Esse mural me pega muito em um lugar de esperança, de acreditar em um mundo novo, possível. Pra mim é muito importante ter ele aí pra que as pessoas possam olhar, respirar e seguir”, diz Diego Mouro.

Para Criola, “fazer parte desse projeto significa materializar em arte a potência de um ser lúcido, dotado de uma consciência cidadã muito elevada. Ele nos mostra o quanto é possível caminhar com justiça, com amorosidade e com igualdade.” 

AA obra integra a série de ações que foi realizada pela South African Tourism, escritório de turismo da África do Sul no Brasil, pela ocasião de celebração do centenário de Mandela em 2018. Outras iniciativas são: “Mulheres brilhantes seguindo os passos de Mandela”, viagem para a África do Sul na qual Camila Pitanga, Djamila Ribeiro e Nátaly Neri, acompanhadas da cineasta Carol Rocha e da jornalista Milly Lacombe, visitaram lugares ligados à história de Mandela. A exposição Mandela e sua terra natal, que fica em cartaz de 25 de Setembro a 31 de Outubro no Mirante 9 de Julho. A exibição de quatro filmes atrelados à história do líder na 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. E, por fim, o oferecimento de uma formação sobre o legado de Mandela e Direitos Humanos para professores do ensino fundamental.

Sobre os artistas:

Criola: Criola é a identidade assumida por Tainá Lima para apresentar o seu trabalho artístico, enquanto mulher feminista e representante negra no mundo do graffiti. Mineira, nascida em Belo Horizonte, faz parte da nova geração de artistas urbanas brasileiras, e conduz sua produção diante das assimilações cotidianas e dos embates constantes sobre as mais diversas questões, pautadas principalmente no universo feminino e orientadas através da busca pela conexão consciente com a sua ancestralidade. Criola reforça através de sua assinatura e do seu empoderamento a importância do protagonismo feminino, anteriormente sem registros. Além disso, ela constrói um universo de valorização e resgate às próprias origens de mestiçagem e conexão afro-brasileira.

DDiego Mouro: Diego Hernandez de Lima, de nome artístico Diego Mouro, é designer por formação, especialista em mídias sociais e artista da nova geração de talentos de São Paulo. Diego é negro e busca retratar personagens negros, apresentar o histórico da sua raça, a luta de sua irmandade e as belezas e vitórias de suas inspirações. Suas referências são o rap, o candomblé, o tambor africano, a poesia contemporânea da Matilde Campilho, a mãe de santo, o churrasco na quebrada, os textos do Rubem Alves, escritoras e escritores negros, livros de antropologia sobre a Diáspora Negra e a história da Arte Negra/Africana Contemporânea e antiga. Tem alguns princípios básicos que norteiam sua arte como a paleta de cores, pintura somente de pele negra, respeito e conexão com a ancestralidade, até a poética. Diego é político, é ativista, engajado. Fã de Mandela, tem tatuado na costela o poema Invictus e o número da cela onde Mandela foi preso.

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